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 Deficientes físicos e/ou mentais

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Saru
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MensagemAssunto: Re: Deficientes físicos e/ou mentais   Qua Maio 05, 2010 4:11 pm

Eu já sou assim desde que nasci "felizmente", Não me imaginaria a ficar condicionado depois de me adaptar á vida normal
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Tixa
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MensagemAssunto: Re: Deficientes físicos e/ou mentais   Seg Jun 07, 2010 10:49 pm

Primeiro de tudo, dou os parabéns à Shibi por falar de um tema de que nem sempre se sente à vontade de falar, e por seguir uma área em que ajuda essas pessoas.

Umas colegas minhas fizeram um trabalho sobre as deficiências na nossa escola, e graças a elas chegaram a pôr algumas rampas que facilitam o acesso de um (só um!) rapazinho que tem dificuldades motoras, no entanto o mesmo miúdo é super querido e uma grande barra a Inglês, e o pessoal da escola trata-o super bem. (Ele inclusive ganhou o título de Mister Escola e chegou a participar num desfile de moda!)
Também temos um rapaz autista e mais um rapaz e rapariga com deficiências mentais, no entanto (e talvez por a minha escola ser pequena) não se sente qualquer discriminação.

Eu tenho uma prima com cerca de 40 anos que sofre de Trissomia 21, à 10 anos ela ia à escola conversava comigo. No entanto, desde à um ano para cá, tem vindo a perder tanto as capacidades motoras como as cognitivas, o que me custa um bocado, porque ela já nem me reconheçe e tão pouco reconheçe os pais. No entanto ela teve sempre o apoio da família, porque vê-la sorrir era algo fantástico. E infelizmente isso perdeu-se.

E já agora, falando nos Paralímpicos, se não estou em erro, Portugal já ganhou imensas vezes o campeonato de Boccia. Smile
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MensagemAssunto: Re: Deficientes físicos e/ou mentais   Dom Nov 07, 2010 9:03 am

Eu acho que os deficientes têm os mesmos direitos das pessoas. Quando as pessoas nascem não podem escolher os pais, a familia, o país nada, e assim a vida. Tenho pena dessas pessoas, mas felizmente existem aquelas que mesmo tendo deficiencia erguem a cabeça e seguem a vida. Agora, há sempre aquelas criaturas que dizem - " olha um deficiente HAHAHAH ", claro que depois eles nao se sentem bem, e acabam por ficar num canto à espera que alguem olhe para eles. É triste ver como é a sociedade acerca dos deficientes motores ou mentais, pode acontecer a qualquer um, até basta ser atropelada para ir parar a uma cadeira de rodas e ter problemas mentais. Tenho um conhecido que ele não liga aos comentários parvos e continua a fazer a sua vida normal, como se não tivesse nada. É simplesmente fantastico ver alguem assim.

Felizmente há pessoas como a Shibi que gostam de estar com eles, brincar com eles, e faze-los felizes. Very Happy
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MensagemAssunto: Re: Deficientes físicos e/ou mentais   Sab Abr 16, 2011 2:29 am

Bem, acabei de ler este tópico e, para começar, quero deixar aqui os parabéns à Shibi por ter trazido este tipo de assunto à tona, bem como as minhas maiores admirações a ela e a todos os que já deixaram aqui a sua opinião.
Passo a explicar a razão das respectivas admirações: Há 18 anos, quando nasceu o meu irmão mais novo (tinha eu por volta dos meus 3 aninhos), a minha família passou por um abalo total. Éramos bastante pobres, vivíamos numa casa degradada, entregue literalmente "aos bichos" (lembro-me de, muitas vezes, estar a dormir e sentir um bando de baratas a passarem-me pela cara... Ainda hoje tenho fobia, mas enfim, essas eram apenas parte do zoológico nojento que tínhamos debaixo daquele tecto, além das ratazanas com tamanho de coelhos. Passando à frente, isto era só para perceberem mais ou menos em condições nos encontravamos...) mas, apesar de tudo, éramos uma família feliz. Normalmente é costume dizer-se que quando um irmão nosso nasce e somos ainda muito pequenos, estando habituados especialmente a ter a atenção de toda a gente posta em nós para depois essa ser passada para o novo elemento da família, nós sentimos ciúmes. O facto é que nunca consegui sentir ciúmes dele. Teimava em querer brincar com ele apesar de ser ainda um bebé, em estar sempre ao pé dele, em dormir ao pé dele... Enfim...
Durante um ano e meio, a nossa vida foi mais ou menos melhorando. As coisas pareciam estar a endireitar-se, embora a um ritmo lento, mas pelo menos mantinhamos aquela esperança sempre acessa de que, mais tarde ou mais cedo, tudo acabasse por se resolver e os problemas fossem desaparecendo. Enganámo-nos. Eles apenas tinham começado.
Após a morte do irmão mais novo da minha mãe (o qual todos dizem hoje que o meu irmão é a fotocópia total), o meu bebé deu uma grande queda e nunca mais foi o mesmo. Não falava, à medida que ia crescendo atacava-nos, batia-me, magoava-se a ele próprio e gritava. Gritava imenso. Coisas que ninguém entendia. Por razões que ninguém entendia. Quando conseguimos ir com ele ao hospital para percebermos o que se passava e depois de muitos nos dizerem que não era nada de preocupante, acabaram por diagnosticar-lhe uma doença chamada Autismo. Não sei se sabem o que é, nem eu hoje, apesar de todas as pesquisas que já fiz referentemente ao assunto e de conviver com o meu irmão todos os dias consigo explicar bem o que é. O que me dizem sempre é que ele tem falta de uma proteína no sangue que não é produzida em medicamentos. Ou seja, não tem cura. Pelo menos, enquanto não se começar a produzir essa proteína. E isso se revela nele como um tipo de Autismo.
Enfim, eu convivi bastante com o meu irmão. Cuidei dele sozinha desde os meus 4 anos para os meus pais poderem trabalhar, traduzi imensas vezes o que ele dizia a toda a gente porque, tal como eu disse anteriormente, ninguém o entendia (a não ser eu) e mais algumas coisas. E, bem, o que posso dizer mais é que, apesar de haver grandes dificuldades financeiras, hoje o meu irmão (classificado com 80% de deficiência mental), além de ter o quadrúplo da minha inteligência ajuda no trabalho cá de casa, adora cozinhar, trata da sua higiene pessoal sozinho, canta como ninguém e com uma voz linda, relaciona-se com animais (adora-os mesmo) e pessoas normalmente (tem montes de amigos), vai às compras, já vai fazendo as suas próprias poupanças, está a tirar um curso e sonha vir a ser um fotógrafo profissional. O que será isto tudo vindo de uma criança que, aos 5 anos, ninguém dava nada por ela? Resultado de ter carinho da parte da família, de lutarem por ele e de, acima de tudo, nunca o abandonarem.
Já fui muitas vezes com o meu irmão a sítios onde se reunem pessoas com a mesma doença dele e, por incrível que pareça, não vi nenhum em milhares tão bem desenvolvido como ele. É muito triste ver tudo aquilo, em particular se pensarmos que maioria dessas pessoas são olhadas de lado pelo que são sem que tenham sequer culpa, visto que muitas delas nasceram assim. Por isso, quando alguém aponta o dedo ao meu irmão, fico a martelar o sucedido por dentro durante dias e dias a fio. Porque cada golpe lançado para ele, eu certifico-me de que o apanho no peito para que ele não sofra, visto que ele nem sequer tem consciência disso. Assim sofro eu. Sempre é mais fácil. Sou mais crescida e, pelo menos, estou mais preparada para aguentar.
O meu irmão é apenas um caso. Eu adoro-o, já devem ter percebido, dou a minha vida por ele. Mas existem mais na minha família. A minha avó está na fase inicial do Alzheimer. Ainda estamos a tentar encarar isso. Sei que vai ser duro, em especial para o meu irmão, ele adora a avó e vai demorar a compreender porque razão é que ela, mais tarde ou mais cedo, acabará por se esquecer de quem ele é, mas a vida não pára. Apenas tem solavancos e temos de continuar a guiá-la, em busca de uma paragem melhor que a anterior.
Aqui fica o meu relato. Não creio que tenha muito mais a dizer. Volto apenas a agradecer a todos vocês por darem valor a pessoas que, à partida, são diferentes de nós. Podem não ser diferentes. Apenas terem o seu próprio mundo onde elas se refugiam para tentarem ser mais felizes. Um grande obrigada.
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