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| Autor | Mensagem |
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Shibiusa Administradora


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 6598 Idade: 21 Localização: Somewhere only we know Data de inscrição: 20/10/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qui Jun 05, 2008 8:28 pm | |
| Obrigada! ^^ Achas que já acabou? xD Ainda vai haver muito mais... Vão ser 13 capítulos, divididos em partes. Hoje já lhes arranjei título e andei a projectar o capítulo II. ^^ |
|  | | RVN Raikage

 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 7505 Idade: 20 Localização: patati.patata Data de inscrição: 17/06/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qui Jun 05, 2008 8:36 pm | |
| ah..fico feliz por saber isso xDD então fico À espero do próximo capítulo |
|  | | Shibiusa Administradora


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 6598 Idade: 21 Localização: Somewhere only we know Data de inscrição: 20/10/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Sab Jul 05, 2008 7:32 pm | |
| Capítulo II - Melodia de um sorriso1ª parteO chilrear dos pássaros há muito que havia quebrado o silêncio do quarto de Ayame. Um ou outro raio de sol espreitava por entre as cortinas da portada que dava acesso à grande varanda de mármore. Um deles, mais travesso, dedicara-se a iluminar a face da jovem adormecida. Rapidamente um outro se juntou a este, intensificando a luz que insistia em acordá-la. Ayame abriu os olhos lentamente, despertando o seu corpo dormente. Faltavam sete minutos para o despertador tocar. No entanto, não tinha sono. Tinha dormido profundamente, sem interrupções ou pesadelos. Aliás, sem qualquer sonho. Simplesmente, dormira. Levantou-se, desligando o alarme. Enquanto se espreguiçava, deitou um olhar ao céu azul que se escondia por trás das cortinas. Via-se bem que o Verão se aproximava a largos passos. Sem se deixar distrair mais pelo que a rodeava, Ayame retomou a sua rotina matinal. Lavou a cara e os dentes e vestiu rapidamente o seu uniforme. Voltou a dirigir-se à casa de banho para pentear o seu longo cabelo com calma. Enquanto passava a escova pelos escuros caracóis, reparou que, naquela manhã, a sua pele possuía um tom mais natural. A ténue linha lilás das suas habituais olheiras havia desaparecido. Aquela noite fizera-lhe bastante bem. Passou a escova uma última vez pelos cabelos, pousando-a bruscamente. O espelho reflectia a sua imagem. Parecia o reflexo vivo da sua mãe, talvez apenas mais saudável. Jamais havia reparado nas semelhanças entre as duas. Mas era impossível negar aquele facto. Um riso de criança ecoou pelo jardim. Estava feliz. - Não me encontras, meu amor? – perguntava uma voz feminina, não muito distante da pequena dos caracóis negros. Ayame correu em direcção à voz. Estava ali, atrás daquela árvore! - ‘tas aqui! – exclamou a criança, com um enorme sorriso na cara, assim que encontrara a sua mãe. Yuri trocou um olhar terno e carinhoso com a filha e começou a correr, para que ela a tentasse apanhar. Aquele corpo frágil e delicado. Aqueles longos caracóis e esvoaçarem atrás de si. Aquela sensível pele branca. Ayame correu e estendeu uma mão para alcançar a mãe. Sem estar à espera, tropeçou e caiu. Yuri estacou repentinamente e voltou para o lado da filha. - Magoaste-te? A menina sentou-se na relva. O seu vestido verde pálido estava manchado com tons de castanhos e verdes. As mãos ardiam-lhe. Virou-as e viu que estavam vermelhas e um pouco esfoladas. Naquele momento, os seus olhos verdes ficaram marejados de água, ameaçando rebentar em lágrimas. - Pronto, meu doce, vem cá – disse Yuri, comovida com a atitude da pequena. Esta levantou-se e abraçou a mãe. - Vai ficar tudo bem – repetia a mãe. - Prometes? - Sim, prometo, meu anjo – respondeu Yuri, sorrindo. Deu-lhe a mão e acrescentou, enquanto caminhavam em direcção à portada de vidro: - Agora vamos mudar de roupa.Aquela recordação de infância deixou um sentimento de saudade a pairar no seu espírito. Eram apenas memórias de uma vida que, certamente, acabara. Pegou na mochila que se encontrava pousada sobre a escrivaninha de madeira de cerejeira e desceu a escadaria. Deixou a mochila encostada a um dos varões da escadaria e dirigiu-se para a cozinha. - Kaede-san? – chamou ela, não obtendo resposta. Resolveu procurá-la e encontrou-a na sala de jantar, a preparar o pequeno-almoço. - Bom dia – cumprimentou Ayame. - Bom dia. Bons olhos a vejam, Ayame-dono – respondeu a senhora. - Ai… Conhece-me desde que nasci, pode tratar-me sem formalidades. Até é melhor para mim, visto que não gosto delas… Ayame não sorria, mas mantinha um tom divertido na sua voz. Kaede observava a sua pequena, com felicidade estampada no seu rosto. As lágrimas foram forçadas a sucumbir, assim que ela as sentiu inundarem-lhe os olhos. Ayame estava diferente… - Posso ajudar em alguma coisa? – perguntou a jovem, interrompendo os pensamentos da empregada. - Ah, não, eu já estou a acabar, Ayame-ch... – retorquiu, hesitando no honorífico a utilizar. Em seguida, respirou fundo e tentou falar: - Podes fazer o que quiseres, que te chamo já para o pequeno-almoço. Ayame pareceu feliz por ver que Kaede estava a tentar esquecer as desnecessárias formalidades que tinha consigo, mantendo apenas o essencial. Já que esta não precisava da sua ajuda, foi dar uma volta pela mansão da família. As imaculadas paredes brancas relaxavam-na, com a sua serenidade infinita, que o tempo não ousava esquecer. Deu por si em frente daquela porta que tanto tempo permanecera fechada no seu pensamento. Lembrava-se da maravilhosa calma por detrás da porta, daquele som extraordinário… Estendeu o braço, lutando contra o seu ainda ferido coração. Abriu a porta e uma luz imensa ofuscou-lhe a visão. Enquanto os seus olhos se habituavam à claridade, reparou que o piano de cauda branco continuava ali, naquela sala de paredes de vidro. O sol, o céu e o jardim eram os seus únicos espectadores. Aquela quietude reinara por demasiado tempo. Teria coragem para quebrar aquele silêncio? Aproximou-se, deslizando os seus longos e finos dedos pelas polidas teclas de marfim. Pressionou uma das teclas e um som profundo de uma nota ecoou no ar, desvanecendo. Ayame sentia-se dentro de uma memória dos seus tempos de infância, arrepiada e assustada pela vívida imagem da mãe a tocar piano na sua mente. As notas emitidas por este atormentavam Ayame. - Desculpa. Não o voltarei a fazer… - murmurou ela, para o espectro dentro da sua cabeça, silencioso como a sala que a rodeava. E então afastou-se, com uma apertada angústia no seu coração. ****************************************** | Spoiler: | | | Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas ando com uma crise de inspiração... Tive que reescrever algumas partes que não gostava. Não acho que tenha ficado grande coisa. Mas mesmo assim, espero que gostem. ^^ |
Última edição por Shibiusa em Dom Jul 06, 2008 12:26 pm, editado 1 vez(es) |
|  | | SupeRaul Mizukage


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 6670 Idade: 19 Localização: Dark Heaven Hobbies: Ver animes Data de inscrição: 22/10/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Dom Jul 06, 2008 10:46 am | |
| Esta muito bom xD pelo menos eu ja estou com vontade de ler o proximo xD
Continua shibi! |
|  | | killer999 Raikage


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 7062 Idade: 21 Localização: In your mind! Hobbies: Muitos... Data de inscrição: 18/11/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Dom Jul 06, 2008 11:04 am | |
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|  | | Shibiusa Administradora


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 6598 Idade: 21 Localização: Somewhere only we know Data de inscrição: 20/10/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qui Ago 07, 2008 7:26 pm | |
| Capítulo II - Melodia de um sorriso2ª parte- Ayame! – chamou-a uma voz masculina ao fundo, enquanto fechava a porta da sala do piano, fazendo-a olhar naquela direcção. O seu irmão aproximou-se dela. Hesitou em falar assim que se apercebeu de onde ela viera. - É para tomar o pequeno-almoço, não é? Então vamos indo… - disse ela, evadindo qualquer tentativa de pergunta por parte de Hatsuharu. Seguiu pelo corredor, não olhando para trás. Tinha de esquecer aquela sala, o piano, a música… A sua mãe. Hatsuharu quedou-se em frente da porta branca. Ainda recordava o som das belas melodias que a sua mãe tocava. Ayame voltara lá. Teria conseguido ultrapassar a dor que trespassava a sua alma? Nem ele o conseguira fazer… A manhã resplandecia, iluminando a sala com uma luz branca natural. A sedosa brisa fazia esvoaçar as pétalas rosa das cerejeiras em flor. Uma canção perfumou o ar com um nostálgico tom primaveril. Hatsuharu, de apenas seis anos, debruçara-se sobre o piano, encantado com o maravilhoso som que emanava deste. Os dedos de Yuri deslizavam agilmente pelas teclas brancas de marfim, tocando uma doce melodia. Ayame, ainda uma pequena criança de três anos, sossegara no colo da mãe ao ouvir o piano, embalada pelas suas suaves notas. Era tão pequena e já demonstrava uma paixão pelo piano. A luz intensificou por momentos e Hatsuharu reparou então no rosto da pianista. De leves e frágeis traços, as feições de Yuri desenhavam-se e alongavam-se na sua ainda juventude, As belas faces brancas eram emolduradas por um longo cabelo negro, que encaracolava em todo o seu comprimento. Yuri, chamavam-lhe… Mas, para ele, seria sempre a sua mãe.Voltou costas à sala e percorreu o corredor, dirigindo-se para a sala de jantar. Ayame já se encontrava sentada à mesa, à sua espera. Entre o pequeno-almoço e a chegada ao colégio, o tempo pareceu voar por entre os silenciosos olhares, retardando o seu andar no confronto com a dura realidade. O frio portão do colégio, onde Hatsuharu e Ayame se separavam, encontrava-se ali à frente dos dois irmãos. - Bem, vou para as aulas. Tem um bom dia! – disse ele, despedindo-se da irmã. - Bom dia também para ti, aniue – respondeu educadamente, utilizando o nome com o qual fora ensinada a tratar o irmão em público. Sentia-se aliviada por ter conseguido escapar das perguntas que bailavam nos olhos de Hatsuharu, quando a vira sair da sala do piano. Assim que ele se afastou, Ayame caminhou em direcção à sua sala de aulas. A aula de Biologia era uma das suas favoritas e uma das suas melhores no seu leque de notas. Contudo, não se sentia preparada para o exame final dessa disciplina no fim desse ano lectivo. Estavam na recta final, eram só mais umas semanas até lá. Entrou na sala, deslizando a porta atrás de si. Cumprimentou os colegas, como fazia todas as manhãs, ignorando os acusadores comentários proferidos por causa da sua suposta insinuação. Pousou a mochila em cima da mesa e sentou, retirando o seu caderno, o seu estojo e uma revista que abriu de imediato. A porta deslizou novamente e um rapaz, que conversava animadamente, transpôs esta, separando-se dos amigos. Kyo, sempre bem-disposto, procurou o seu lugar na sala e sentou-se. Era, como habitual, ao lado de Ayame. - Bom dia! – exclamou ele, com um tom de voz normal, para que apenas ela o ouvisse. - Oh, bom dia… - retorquiu Ayame. - Hoje pareces estar com uma disposição diferente – reparou ele, algo distraído a tirar o material necessário à aula da mochila. - Hum? Porque dizes isso? – questionou ela, enfrentando o profundo mar dos olhos dele. Olharam-se durante uns segundos, como se se vissem pela primeira vez. Ayame não conseguia perscrutar o olhar dele, de tão profundo e misterioso que era. Temia perder-se naquela imensidão azul se o fizesse. E então a rapariga voltou à leitura da sua revista de música. - Bem, nunca te vi a ler nada para além de livros… E o teu ar… Deves ter dormido bem… É bom ver-te assim – reconheceu Kyo. Era, de facto, verdade. Nada escapava a um bom observador. Folheou, sem dar muito atenção, a parte de hip-hop. A página que se seguiu surpreendeu-a, não deixando de expressar um trejeito de incredulidade. A música clássica fascinava-a, mas recusaram-se a voltar a tocar após a morte da sua mãe. Aquela página era dedicada a uma entrevista do seu pianista favorito. Avançou rapidamente, procurando fugir ao assunto. Por mais prazer que aquela leve leitura lhe estivesse a proporcionar, Ayame foi forçada a guardar a revista com a chegada da professora. - De pé! – disse o delegado de turma, dando início aos cumprimentos tradicionais. A aula decorreu normalmente. Estavam a acabar de dar a matéria que faltava para o exame final, para depois começarem com a preparação para este. - Fujihara-san, por favor, vá devolver o retroprojector e os acetatos à biblioteca – pediu a professora, enquanto assinava o livro de ponto da turma. – Ishimaru-kun, ajude-a, se não se importar. Aquela tarefa já lhes era conhecida. Como melhores alunos da turma, era-lhes muitas vezes pedida, para os poupar dos pequenos sermões dados aos colegas no final de algumas aulas. Ayame levantou-se e pegou na grande caixa metálica que arquivava todos os acetatos da disciplina. Não era demasiado pesada, conseguiria levá-la. Alguém lhe retirou a caixa dos braços, deixando-a surpreendida. - Uma menina não deveria fazer o trabalho de um homem. Por isso, eu levo isto que é pesado e tu guias carrinho do retroprojector – murmurou Kyo. Embora algo contrariada, a jovem acedeu. Afinal, teriam de descer dois andares até ao rés-do-chão, onde se encontrava a biblioteca. Saíram da sala e caminharam em direcção ao fundo do corredor, onde se encontravam as escadas e o elevador. Um som familiar fez Ayame parar repentinamente. E repetia-se uma e outra vez, até formar um pequeno instrumental. As notas agrupavam-se e o nome da peça surgiu instantaneamente na mente dela… "La campanella"… Kyo, que se apercebera que ela havia parado, voltou-se para trás. - O que se passa? – perguntou ele, ao reparar no triste cintilar dos olhos dela. Ayame respirou profundamente antes de responder, tentando acalmar o seu desenfreado coração. - Não é nada. Ele não insistiu e então seguiram o seu caminho. Mas Ayame continuava inquieta no seu âmago, tentando abstrair-se do belo canto do piano, que ressoava nos seus ouvidos. ------------------------------------------------
| Spoiler: | | | Bem, desde já, peço desculpa por ter demorado tanto tempo a postar algo novo. Tive uma crise de inspiração e não conseguia escrever nada. Mas pronto, já passou. xD Agora deixo ficar aqui alguns esclarecimentos quanto a esta parte de capítulo... Aniue significa irmão mais velho, mas é uma forma mais respeitadora. Normalmente, as pessoas tratam os seus irmãos mais velhos por onii-san ou onii-chan. Quanto a "La Campanella", é uma peça de Liszt, tocada a piano. Podem ouvi-la aqui (é um excerto do anime La Corda D'Oro): [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] Espero que gostem! ^^ |
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|  | | Clairwinder Moderadora


 Número de Mensagens: 2652 Idade: 20 Localização: Nothingless Data de inscrição: 19/08/2008
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qua Ago 20, 2008 1:32 am | |
| Tambem eu tenho uma paixao por pianos *--* Muito bom como sempre  continuaa |
|  | | Demoins Nukenin


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 1243 Idade: 22 Localização: Vila do Conde Hobbies: Ver Naruto Data de inscrição: 23/09/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qua Ago 20, 2008 10:40 am | |
| se estão todos a gostar da história da Shibiusa podiam aceder à Pt-Fanfics e votar lá, ajudando-a a ganhar o prémio no fim do mês xD |
|  | | Shibiusa Administradora


 Título: Membro Lendário Número de Mensagens: 6598 Idade: 21 Localização: Somewhere only we know Data de inscrição: 20/10/2007
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 | Assunto: Re: Memórias de um anjo Qui Set 18, 2008 10:19 pm | |
| Capítulo II - Melodia de um sorriso3ª e última parteCumpriram a sua tarefa rapidamente, regressando à sala de aula. Completamente abstraída, Ayame limitava-se a olhar para a professora de inglês, tirando os poucos apontamentos escritos no quadro e passando os olhos pelas páginas do livro que a professora pedira para lerem em silêncio. Aquele inesperado encontro musical perturbara-a mais do que estava à espera. - Ayame! – chamou alguém. Ela afastou os longos cabelos da cara, permitindo a si mesma ver quem proferira o seu nome. - Já devias estar dentro do auditório connosco. Mas não, resolveste ficar cá fora a ler… - repreendeu-a Hatsuharu. - O concerto já começou? – perguntou ela, ainda absorvida pelo livro. - Não, mas deve estar quase. Anda daí, a mãe vai gostar de nos ver na primeira fila – respondeu, agarrando na mão da menina de 12 anos e puxando-a para dentro do auditório. Dentro da grande sala escurecida, dezenas de pessoas formalmente vestidas aguardavam sentadas pelo início do recital. Os dois irmãos apressaram-se a sentar-se nos seus lugares, reservados pelo pai, na primeira fila. Apesar da reserva, Seishirou não aparecera. Nem mesmo aos concertos dos filhos ia. Escondendo a sua desilusão pelo pai, Hatsuharu e Ayame endireitaram-se nas cadeiras. O concerto estava a começar…Um toque nos seus ombros fê-la despertar dos seus sonhar acordado. Tinha-se perdido demasiado nos seus pensamentos e a aula já havia acabado sem que se apercebesse disso. - Hoje estás mesmo… Diferente… Está tudo bem? - perguntou Kyo, que retirara a sua mão ao reparar no sobressalto de Ayame. - Sim, está, obrigada… Estava só a lembrar-me de umas coisas que, supostamente, já deveria ter esquecido – respondeu ela, afastando o cabelo da cara. Os seus olhos enchiam-se de água enquanto falava. Não queria chorar ali, estava a lutar, mas a dor vencia sempre. Limpou os olhos e acrescentou: - Dá-me um minuto, já me recomponho. Kyo sentou-se numa cadeira ao seu lado. A rapariga definitivamente mentia. Atentou na revista que ela estava a ler, cuidadosamente marcada na página de música clássica. Talvez não devesse envolver-se tanto na vida dela, mas havia algo que a poderia fazer sorrir. E, se não experimentasse, podia não ter outra oportunidade. - Quando me chamaste… O que querias? – inquiriu ela, tentando estabilizar a sua respiração acelerada devido às lágrimas. - Bem… Vais fazer alguma coisa depois de almoçar? - Não, penso que não. Estava apenas a pensar ir à biblioteca. Porquê? - Depois vês – retorquiu ele, saindo da sala. Ele estava a planear alguma coisa, era óbvio. Resolveu não dar muita importância ao assunto. A sala de aula estava quase vazia. A maior parte dos alunos almoçava na cafetaria, trocando o tradicional obento por algo mais rápido, mas bem menos saudável. As tradições já não eram como antigamente. Ayame guardou tudo o que tinha em cima da mesa e retirou o seu obento da mochila. Abriu a caixinha negra, decorada com delicadas flores cor-de-rosa, e começou a comer, absorta nas suas memórias de infância. O alvoroço da casa acordara-a. Ouvia passos apressados e vozes que falavam mais alto que o habitual no corredor. Aquilo não era nada normal. Ayame saiu do quarto, esquecendo que estava ainda de camisa de dormir. Certamente ninguém repararia nela no meio da confusão. Esgueirou-se até à origem da agitação. Era o quarto da sua mãe. - … a fragilidade do corpo dela causa facilmente estas recaídas. Terá de deixar de fazer grandes esforços e… - Ayame! – exclamou Hatsuharu, interrompendo o médico. A irmã espreitava junto da porta aberta, com os olhos arregalados, a inundarem-se de salgadas lágrimas. Apenas tinha olhos para a mãe, que permanecia deitada na cama, com um tubo no seu pulso esquerdo, que ligava a uma espécie de bolsa com um líquido transparente no seu interior. Ayame já não era uma criança, mas a sua mente recusava-se a aceitar aquele facto, como se quisesse permanecer no passado. Debateu-se contra os braços do irmão quando este tentou levá-la de volta para o seu quarto, mas em vão. Ela não compreendia, tal como ninguém entende, o porquê de a vida ser tão injusta.Porquê? Porque recordara a primeira vez em que vira a sua mãe naquele estado? Conteve as lágrimas e pousou a revista, que voltara a ler após ter almoçado. Não conseguiria ler nem mais uma letra; tinha que se acalmar. Ainda só passara um mês desde que… Não conseguia sequer pensar na palavra! Levantou-se e saiu da sala de aula. Ia apanhar um pouco de ar fresco. Fechou a porta e caminhou com calma pelo silencioso corredor, reparando atentamente no que a rodeava. As paredes de um cinza claro, trespassadas por duas linhas mais escuras sensivelmente a meio delas, as janelas ao seu lado e a luz que provinha destas… A luz! Ao virar-se para as janelas, alguém a chamou. - Ayame! – voltou a chamar Kyo, enquanto se aproximava dela. - Sim? - Podes acompanhar-me ali, por favor? – pediu. - Onde? – perguntou Ayame. - Anda lá, vem comigo – disse ele, pegando na mão dela e guiando-a em direcção a uma sala vazia. “Sala de música” era o que estava escrito na porta com uma letra tipografada. A rapariga puxou o braço para ser libertar, embora inutilmente. Kyo estava determinado em levá-la para ali. Quando ele fechou a porta atrás deles e finalmente largou o seu braço, tentou escapar. Não suportava estar tão perto de um piano. Mas Kyo barrava-lhe o caminho uma e outra vez. - Se não enfrentares aquilo que mais temes e do qual foges, jamais viverás verdadeiramente. Aceita o passado para viveres o presente – declarou ele, fitando o infinito. - Eu… - hesitou Ayame. – Eu não consigo! - Então deixa-me ajudar-te! – exclamou ele, olhando-a nos olhos. – A sério, não me importo nada de te ajudar se estiveres disposta a enfrentar o que te persegue… Se aceitasse, sabia que teria de estar disposta a confiar nele. A contar-lhe tudo o que se passara, aquilo que vivera… Um amigo. Sim, era no que ele se tornaria. - Está bem… - murmurou ela. Kyo pareceu satisfeito com a resposta e sorriu. Pegando na mão dela, aproximou-se do grande piano de cauda negro. - Tocas ou terei eu de o fazer? – perguntou ele. Ayame não respondeu. Não se sentia preparada para tocar. Era ainda muito cedo. Ele não precisou de uma resposta; ela era como um livro aberto perante si. Sentou-se em frente do piano, deixando-a a observá-lo e a ouvir a melodia. E as suas mãos esguias deslizaram pelo frio teclado das cores do xadrez, produzindo sons da mais pura harmonia. As notas fluíam e entrelaçavam-se, provocando um sentimento de nostalgia na jovem rapariga. Recordava-se bem daquela música. Fora uma das que a sua mãe tocara num dos seus recitais, naquele que mais gostara. Yuri tinha-a chamado ao palco, juntamente com o seu irmão, e permitira que eles tocassem uma música juntos. Sem que desse por si, lágrimas escorriam pelas suas faces. Brilhavam como pequenas pérolas, marcando o seu caminho com delicados fios de água, A felicidade irradiava de cada uma das gotas salgadas. E um pequeno milagre aconteceu: o regresso do sorriso de Ayame. Tão puro, tão radiante, como fora anteriormente. ------------------------------------------------ | Spoiler: | | | Bem, desde já, peço desculpa por ter demorado tanto tempo a postar algo novo. Já tinha terminado de escrever este capítulo, mas esquecia-me de passar para o computador. ^^" Agora para perceberem um pouco mais esta última parte, releiam ouvindo esta música: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.] Foi essa música que me inspirou para escrever essa parte. Espero que gostem! ^^ |
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